Porque eu disse “sim” na Pont Neuf

Marco e Talita na Pont-Neuf, Paris

Marco e Talita na Pont-Neuf, Paris

Eu não sei porque fui a casa dele naquela noite. Porque, entre tantos amigos, resolvi me abrigar em seu colo. Ele não era íntimo, apesar do tempo de “quase-convivência”: cinco anos de mensagens na internet, entre blog, orkut, msn e e-mail. Vez em quando ele mandava um sms, sempre carinhoso, mas não exclusivo. Vez em quando ele brincava, falava pra eu deixar o outrora namorado para ser feliz ao seu lado. Vai ver eu inconscientemente levei a sério. Ou então, foi Deus que ouviu os meus pedidos por alguém com quem eu pudesse começar uma família.

Parece sério ou romântico demais, eu sei. Mas quando você pára pra pensar porque se relaciona com alguém, porque investe seu tempo em uma relação, parece estúpido viver só por viver, sem construir algo, sem ser família. E família pra mim nunca foi sangue. Foi sempre circular na veia, fazer pulsar o coração, mesmo quando todos os outros órgãos querem parar. E era isso que eu queria após o fim de um namoro de três anos, de um quase-casamento, da desilusão e desgaste de um rompimento.

Absurdo, não é? Eu deveria ficar quieta, querer a solidão pseudo-construtiva, querer farrear, botar meu bloco na rua, fazer tudo e mais um pouco, menos me envolver e ter esperança no amor. Porque é impossível amar sem se arriscar, sem se colocar na linha de tiro, sem expor suas fraquezas. E após um término tão brusco, eu já estava no chão, não tinha como me manter em mais um baque. Mas vivia algo contraditório: uma tristeza imensa pelos sonhos desfeitos, ainda em cores tão vivas, e a crença de que o futuro a Deus pertence e, nele, eu não estaria sozinha.

Ele não era o cara da minha vida, minha cara metade, minha alma gêmea ou qualquer outra definição. Ele não tinha nada a ver comigo: era nerd, racional, numérico, organizado e metódico. Eu era o caos. Não fantasiava com ele, apesar de a recíproca não ser verdadeira. Mas, naquele bendito dia, em que eu não queria voltar pra casa, foi nele em quem pensei, mesmo sem saber ainda que o seu ombro era perfeito para o meu silêncio. E foi uma decisão tão impulsiva e acertada. Ele me alegrou, me tentou, me fez pensar no “e se…”, apesar de toda minha indisposição.

Fui viajar a trabalho pensando nele, pensando que talvez-quem-sabe pudesse ser interessante. E foi, assim que voltei. E foi mais uma, duas, três, quatro vezes… A cada encontro ele parecia mais instigantee e acessível. Um daqueles enigmas que você precisa resolver para entender a si própria. Rapidamente estava envolvida e morrendo de medo de estar. Quis ir embora uma, duas, três, quatro vezes… Não ia dar certo, ia passar a paixão, as particularidades pesariam. Mas a cada mês, agora vivendo juntos, o que era essencial (valores, fé, sonhos) tornava tudo mais harmônico. Não que a minha bagunça no quarto não incomodasse, mas isso e as diferenças de comportamento poderiam ser superadas, porque nós caminhávamos juntos nas coisas que eram realmente importantes.

E por isso eu disse sim na Pont Neuf. E por isso eu digo sim todos os dias em que acordo e durmo ao seu lado. E não tenho a menor vergonha de ter fé no amor e compartilhá-la.

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3 Responses to Porque eu disse “sim” na Pont Neuf

  1. KK says:

    Eu nem acredito que eu tô aqui…cai aqui por um motivo muitoo nada a ver! E tô tão feliz por você. Tão feliz por ler essas palavras lindas e saber como vc se sente e saber que vc vai ser feliz demais! Feliz por vc……e pelo amor!! Beijo minha amiga…mesmo virtual e distante…ainda sim…tem um pontinha nesse coração bobo.. q parece q te conhece…q te admira demais… e que tem certeza q vc será feliz, feliz feliz

  2. [...] de dizer SIM em Paris, comecei a pensar sobre como será o grande dia. Minto, antes disso, quando conversava [...]

  3. JAckie says:

    Olá! Cheguei a seu blog hj =)
    Eu tb fui pedida em Paris, mas no Louvre. Mas já casei =)
    Tb tenho um blog de casamento, se quiser pasar por lá qq. Vou continuat lendo tudo por aqui.
    beijinhos e parabéns!

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